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8 de ago de 2010

Jogo de interesses pessoais e a postura cristã

Porque a política e os políticos gozam hoje de uma reputação tão baixa? Idealmente, o estrato político deveria ser de uma impoluta postura,... thumbnail 1 summary

Porque a política e os políticos gozam hoje de uma reputação tão baixa? Idealmente, o estrato político deveria ser de uma impoluta postura, posto que exercem funções públicas visando o bem-comum. Acontece, que muitos jogam no time de Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe onde dissemina a ideia de que “a política é um jogo sofisticado, delicado e complexo, que para ser entendido (por quem joga ou por quem observa) exige que prestemos atenção às qualidades e à sorte dos jogadores, à sua perspicácia e à sua força e, principalmente, aos recursos de poder que estão em jogo” (Tosi, Alberto, Política, artigo, in Portal da Filosofia).

Pois na grande maioria das vezes quando olhamos para a classe política, não só no Distrito Federal, mas também nos governos estaduais e municipais em nosso amado país, vemos que as coisas acontecem exatamente desta forma.
O maquiavelismo de nossos políticos já se tornou proverbial. Prevalece o jogo de interesses, o ganho por fora, o “é dando que se recebe”. Logicamente não está incluída toda a classe de governantes e legisladores. Mas, a corruptocracia é tão deliberada que até os “bons” (?!) estão aderindo à síndrome de “Justo Veríssimo”, famoso personagem do comediante Chico Anysio, que encarna exatamente um político desonesto e que tinha “horror a pobre”.

Leviandades não faltam entre eles. O que importa não é tanto a lealdade a alguém ou a alguma plataforma política, mas o que realmente lhes interessa são os seus interesses escusos. Não primam pela ética em sua atividade parlamentar, mas, em realidade, posam de bonachões irrepreensíveis para suas bases políticas.
Acerca da ética, Marilena Chauí em seu excelente livro Convite à Filosofia, nos ensina que, para os gregos, era inconcebível a ética fora da comunidade política – a polis (cidade) como koinonia ou comunidade dos iguais – , pois nela a natureza ou essência humana encontrava sua realização mais alta. Chauí nos ensina ainda que Platão identificara a justiça no indivíduo e a justiça na polis.
Já Aristóteles subordina o bem do indivíduo ao Bem Supremo da polis. Esse vínculo interno entre ética e política significava que as qualidades das leis e do poder dependiam das qualidades morais dos cidadãos e vice-versa, das qualidades da Cidade dependiam as virtudes dos cidadãos. Somente na Cidade boa e justa os homens poderiam ser bons e justos; e somente homens bons e justos são capazes de instituir uma Cidade boa e justa (Convite à Filosofia, p.497).

E o cristão, de que maneira deverá lidar com esta área, alvo de tanta polêmica, mas que é necessária na sociedade humana? Precisamos aprender de uma vez por todas que fazer política não é pecado, pecado é a politicagem, entendida como prática política sem o entendimento ético. John Stott, notável erudito cristão, em seu livro O Cristão em uma Sociedade Não-Cristã, falando sobre a relação entre a Igreja e a política, cita o Pacto de Lausanne, onde se observa não só apenas a questão da responsabilidade social, como também o envolvimento sócio-político. Stott define o termo “política”: As palavras “política” e “político” tanto podem ter uma definição ampla quanto limitada.

O conceito mais amplo de “política” denota a vida da cidade (polis) e as responsabilidades do cidadão (polites); ou seja, tem a ver com o todo da nossa vida na sociedade humana. Política é a arte de viver juntos em comunidade. De acordo com sua definição mais limitada, no entanto, política é a ciência de governar; é a preocupação com o desenvolvimento e a adoção de políticas específicas que serão consagradas pela legislação.”

Em seguida, Stott passa a considerar a relação entre o “social” e o “político”, usando agora esta palavra em seu sentido mais específico. Serviço Social:

1) Socorrer o ser humano em suas necessidades;


2) Atividades filantrópicas;


3) Procurar ministrar a indivíduos e famílias;


4) Obras de caridade.


Ação Social:
1) Eliminar as causas das necessidades humanas;


2) Atividades políticas e econômicas;


3) Procurar transformar as estruturas da sociedade;


4) A busca da justiça. Portanto, devem os cristãos envolver-se na política, não somente no âmbito do serviço social, a fim de que a transformação de estruturas injustas na sociedade sejam buscadas.

Fica a pergunta: Como isto sucederá se políticos (dizendo-se cristãos evangélicos) se deixam corromper, se buscam cargos visando sua locupletação?

Quero citar aqui dois grandes exemplos de cristãos evangélicos (obviamente, existem inúmeros outros) que não se deixaram corromper e serviram em cargos eletivos como autênticos servos de Jesus Cristo. O primeiro é o inglês William Wilberforce.

Foi contemporâneo de John Wesley, era parlamentar, tendo junto com seus amigos, também crentes em Jesus e parlamentares como ele mesmo, grande atuação para que acabasse o tráfico de escravos africanos, reforma penal e parlamentar, educação popular, nas obrigações britânicas para com suas colônias (especialmente a Índia).


Promoveram campanhas contra os duelos, muito comuns naquela época, os jogos de azar, a bebedeira, a imoralidade e os esportes em que se maltratavam os animais. Wilberforce e seus amigos eram movidos por sua inabalável fé evangélica.

Outro grande cristão digno de nota é Abraham Kuyper, holandês, fundador da Universidade Livre de Amsterdan e que tornou-se primeiro-ministro. Kuyper foi notável em vários aspectos. Doutor em Teologia aos 26 anos de idade, um ano depois começa a exercer seu primeiro pastorado.

Por mais de 45 anos foi editor de dois jornais evangélicos, sendo que um deles representava o contingente protestante da nação holandesa. Em 1874, foi eleito membro da Casa Baixa do Parlamento, função que exerceu até 1877. Em 1880, fundou a Universidade Livre de Amsterdam, a qual tomava a Bíblia como a base incondicional sobre a qual deveria ser erguida toda a estrutura do conhecimento humano em cada departamento da vida.
Em 1901, a convite da Rainha Wilhelmina, é nomeado primeiro-ministro até o ano de 1905. Uniu em sua pessoa de forma extraordinária as funções de estudante, pastor, pregador, lingüista, teólogo, professor universitário, líder de partido, estadista, filósofo, escritor, cientista, publicista, crítico, filantropo.

Nunca deveremos portanto aceitar, ser condecendentes com pseudo-cristãos que exercem cargos públicos e envergonham ao Senhor da Glória ao utilizarem-se da política para seus próprios e escusos interesses pessoais. Entram neste jogo de corpo e alma. Não demonstram arrependimento.

Não lhes arde a consciência. Na verdade, o que falta para muitos, além de conhecerem a Palavra de Deus e o Deus da Palavra, é uma educação política, para compreenderem como deveriam lidar com esta dimensão em suas vidas.

É inegável que muitos tem um chamado, uma vocação para a vida pública. Creio que Deus vocaciona ainda hoje, como foi com José do Egito e Daniel na corte babilônica. Mas é necessária uma educação elementar política, principalmente e acima de tudo com ênfase no temor a Deus e na ética.

Por uma política exercida com ética, por uma política sem a porca politicagem. Por cristãos conscientes, sabedores que podem e devem exercer a política com sabedoria e ética. Que podem e devem exercer cargos públicos procurando a excelência em tudo o que fizerem. Wilberforce e Kuyper com suas vidas de santidade ao Senhor e serviço aos seus semelhantes, provaram isto sobejamente.

Porque isto não deveria ser uma realidade hoje?

Pense nisto.
GCM MORAES

Fonte: Observatório Teológico

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