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15 de ago de 2013

Legista diz: menino Marcelo também foi assassinado

O médico legista George Sanguinetti afirmou que o filho do casal de policiais militares paulistas Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13, f... thumbnail 1 summary

O médico legista George Sanguinetti afirmou que o filho do casal de policiais militares paulistas Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13, foi assassinado junto com os pais – o sargento da ROTA, Luís Marcelo Pesseghini, 40, a mãe, cabo Andréia Pesseghini, 36 – além da avó e de uma tia avó.

Para a polícia paulista, o adolescente cometeu os quatro assassinatos entre a madrugada do último domingo (4) e a de segunda (5), com a arma da mãe, uma pistola .40, e se matou no começo da tarde de segunda, ao voltar do colégio.

Ao analisar as fotos da sala em que Marcelo e os pais foram encontrados mortos, Sanguinetti foi categórico ao afirmar:

a posição do corpo do adolescente não é compatível com a de um suicídio, e sim, com a de um assassinato. Há muita clareza nas posições dos corpos, que mostram que os três foram assassinados.

Ao fazer os cálculos de corpos com estatura semelhantes à da mãe e do filho, podemos observar que todos foram mortos por outra pessoa, disse Sanguinetti.

A posição em que o corpo do menino caiu, com a mão direita em cima do lado esquerdo da cabeça e o braço esquerdo dobrado para trás, com a palma da mão esquerda aberta para cima, não é compatível com a posição de um suicida, e sim, com a de uma pessoa que foi assassinada.

A arma do crime também não está no local compatível, que apareceria na foto em cima da cama ou próximo aos joelhos do menino, explicou Sanguinetti.

Para o professor legista, a equipe da perícia precisa refazer os cálculos do trajeto dos corpos ao serem atingidos pelos projéteis porque a conclusão está equivocada ao afirmar que o menino assassinou os pais e depois se matou.

Sanguinetti explicou: não é impossível refazer os cálculos mesmo com o cenário desfeito. Os peritos devem se basear nas imagens para concluir claramente que o menino Marcelo também foi vítima.

Apesar de as pessoas próximas ao menino dizerem que ele sabia atirar, a forma como cada um deles foi morto, com apenas um tiro na cabeça, é de atirador profissional. Por mais que o menino tivesse habilidade, ele efetuaria mais de um disparo para atingir os corpos dos pais e para se certificar de que eles teriam morrido, argumentou o legista.

Sanguinetti disse que também seguiu os cálculos da medicina legal para afirmar que o corpo de Andreia foi colocado no local em que foi encontrado. Para ele, a policial não foi morta na posição fetal.

A parte do corpo que ficou suspensa na cama corresponde a 15% da massa [corporal da vítima], e o peso restante faria o corpo ser arrastado para o chão. Jamais, ao levar um tiro, o corpo conseguiria se manter em uma posição que a parte mais leve seguraria a parte mais pesada, a não ser que já estivesse com rigidez cadavérica, como podemos observar na foto.

O legista Sanguinetti também questionou o argumento de que não foi detectada a presença de chumbo, antimônio, bário e pólvora nas mãos do menino, e que, ao efetuar supostamente os cinco disparos que mataram o adolescente, os pais, a avó Benedita de Oliveira Bovo, 67, e a tia Bernadete Oliveira da Silva, 55, o polegar e a parte dorsal da mão esquerda, obrigatoriamente, teriam algum vestígio.

Informaram que o menino era canhoteiro e nem a mão esquerda, a provável a ser usada para fazer os disparos, e nem direita apareceram com resíduos de tiros, disse Sanghinetti.

Obrigatoriamente quando efetuam-se disparos de arma de fogo os resíduos aparecem. Se disserem que ele efetuou e deu negativo o exame residuográfico estamos contradizendo a boa técnica da medicina legal, afirmou.

O médico legista questionou ainda o porquê da equipe de criminalistas não realizar exame em microscópio para observar resíduos dos tiros na derme e na epiderme do garoto: Eles fizeram exames somente com a lavagem das mãos em soro, mas deviam ter retirado pedaços da pele do menino para investigar os resíduos e encontrariam.

Sanguinetti disse que também analisou os relatos do cenário da casa dos PMs paulistas assassinados e afirmou que a equipe de peritos só observou se o portão e a porta estavam intactos, sem sinais de arrombamento:

Tinha uma janela com o cadeado arrombado e eles ignoraram a informação da cena. Provavelmente a pessoa que matou os cinco entrou pela janela.

A conclusão dos médicos legistas constará no laudo elaborado pelo Instituto de Criminalística (IC) e que deverá ser entregue à Polícia Civil de São Paulo até o meio da semana.

O IC utiliza análise de manchas de sangue para indicar o momento em que o sargento foi morto. Também durante os próximos dias, o instituto deverá concluir o laudo necroscópico das outras vítimas e apontar, por exemplo, se alguma delas havia sido sedada ou se continha vestígios de pólvora.

Também aguardam o resultado de análise de peritos o computador e telefones celulares apreendidos na casa da família. Procurada nesse sábado, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou: só serão considerados laudos oficiais do caso.

O doutor George Sanghinetti ficou nacionalmente conhecido ao refazer o laudo das mortes do casal PC Farias e Suzana Marcolino e apontar que eles não tinham se suicidado, mas foram assassinados em 1996.

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